Blog Impressões

Hamilton T. Costa

Hamilton T. Costa

URL do site: http://www.anconsulting.com.br E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
Quarta, 24 Novembro 2010 19:47

Qual o Futuro da Gráfica?

Na edição da Revista Abigraf que começa a circular está o nosso artigo com o título acima.

Na verdade ele está resumido e foi tirado da palestra do mesmo nome que ministrei em setembro na ABTG/Abigraf e cujas outras versões mais curtas também apresentamos aí pelo exterior.

Segue postado agora o artigo completo que ficou muito grande para a revista para que possam lê-lo e criticá-lo. Esse é um tema que não se encerra nele. O debate e novos acréscimos são necessários. 

Pressionada de  um lado pelos novos meios de comunicação digitais e por outro pelas questões de sustentabilidade, em especial a utilização do papel como suporte, a indústria gráfica vem se repensando em como se adequar a essas novas demandas sociais e em como se reinventar para permanecer como negócio viável no próximos anos.

Esse artigo pretende apresentar uma visão geral da indústria, as diferenças ente os mercados maduros e os emergentes, os desafios dentro das principais cadeias de valor onde a gráfica está inserida, as mudanças na sociedade e seus reflexos na comunicação impressa, as mudanças tecnologicas e as possíveis alternativas que o negócio gráfica tem para se reinventar e agregar valor aos seus clientes e usuários. Única maneira de manter-se economicamente viável.

A Indústria invisível e sua utilidade

O produto gráfico está em praticamente todos os ambientes em que vivemos e lidamos com ele várias vezes ao longo do dia.  Nos jornais que recebemos, na revistas largadas em casa, no rótulo da vitamina que tomamos, na caixa do sabão em pó que lavou nossa roupa, no bilhete do ônibus ou do metrô, no troco em cédulas de dinheiro que recebemos, no cartão de débito ou de crédito com que pagamos contas, no documento de identificação que usamos - aliás desde o registro em cartório quando nascemos – no livro que vemos na escola ou no relatório que estudamos na empresas. Não há como pensar em uma atividade humana que, de alguma forma, não esteja em contato com um material impresso.

De tanto conviver com esses materiais e produtos o leigo no mundo gráfico nem sequer o identifica como um produto gráfico. Seu foco de atenção está na sua funcionalidade: leitura, informação, conservação, comunicação, identificação, etc.

Por não ver o produto e sim sua funcionalidade há muito cunhamos o termo indústria invisível para qualificar  a indústria gráfica. Outros a chamam de a indústria das indústrias exatamente por dar suporte ao produto de dezenas de outras indústrias.

Essa indústria invisível, no entanto, tem uma importância econômica considerável. Em especial nos países desenvolvidos onde a comunicação escrita,  o grau de leitura da população, a diversidade e quantidade de produtos embalados, etc,. é sensivelmente maior que nos chamados países emergentes. Segundo estudos da Pira[1], atualizados no ano passado, a indústria gráfica mundial teve um faturamento de US$700 bilhões em 2008 devendo atingir US$725 bilhões em 2014. (quadro 1)

Um aspecto importante desse estudo é mostrar a gradual diminuição da participação da gráfica nos PIBs dos mercados chamados maduros como EUA, Japão, Canadá, Europa Ocidental, etc.,  e a sua ascensão nos países emergentes, Brasil no meio. A America Latina, por exemplo, passa de 5% do total em 2008 para 6,6% em 2014. Parece pouco, mas isso, se confirmado, representa um incremento de 37% de seu faturamento ou algo como US$12 bilhões em seis anos equivalentes a um crescimento anual de 5,3%, nada desprezível. A queda de participação no PIB norte-americano (quadro2), mostra como essa indústria cresce há tempos descolada do crescimento do PIB. Ainda é importante, mas vem perdendo importância. Por que?

A indústria gráfica, como dissemos, é o reflexo do uso dos produtos que imprime. Assim, para se entender o que a afeta e o que a afetará nos próximos anos, precisamos entender as principais tendências que alteram e alterarão o modo de vida da sociedade em que está inserida e com isso entender quais as tecnologias diruptivas que podem substituir os seus produtos.[2]

Mega tendências e a indústria gráfica

Segundo o Zukunfts Institut[3] – ou Instituto do Futuro – sediado em Berlim, um dos vários especializados e conceituados em previsões de longo prazo,  as principais mega tendências deste século são:

Nova ecologia, - toda a questão da sustentabilidade ambiental e as mudanças daí provenientes, onde o papel passa a ter um papel de vilão, de destruidor de árvores, de atentar contra a natureza, ainda que muito dos argumentos usados não se sustentem face  a produção a partir de florestas replantadas, mas que repercutem. Saúde – toda a evolução da medicina e a preocupação de bem estar das pessoas;  Revolução Prata – o aumento da idade média de vida das pessoas e as alterações no comportamento dos adultos maduros que voltam a estudar, empreendem mais, adotam um estilo de vida e aparência mais jovial, interagem mais, têm recursos e educação. O que mantém uma certa fidelização aos meios impressos, ao contrario das novas gerações com hábitos digitais. Talvez por isso mesmo os jornais estejam aumentando o tamanho de suas letras;   a Globalização – com todos os seus efeitos positivos e negativos como já a estamos sentido há alguns anos;  A Mudança da Mulher – mais ativa, dona de seu nariz, autônoma, dividindo o mercado com os homens; Mobilidade – acesso a informações, dados e comunicação pessoal ou em grupo onde estiver, conexão 24 horas; Individualização – a importância do eu em uma sociedade menos privativa. As pessoas querem produtos dirigidos a elas, mensagem personalizadas dirigidas a elas.

Na junção da questão ambiental., saúde e estilo de vida há o crescimento de um movimento chamado LoHaS – Lifestyle of Health and Sustainability , algo como Estilo de Vida com Saúde e Sustentabilidade, ou seja, viver bem, saudavelmente e consumindo produtos com sofisticação mas que não afetem a natureza, como papéis recicláveis e de empresas com preocupações sociais;  Conhecimento – o verdadeiro nome dessa era, onde conhecer é mais do que ter;  e Era Digital – evidente por si mesmo com todas as suas conexões.

No caso dos países emergentes acrescento mais duas: Urbanização – hoje o número mundial de habitantes nas cidades já ultrapassa com sobra os habitantes do campo; e Ascensão da Classe Média – fenômeno que vemos com clareza aqui no Brasil, mas que se repete em quase todos os emergentes como China, Índia, Polônia, Rússia, México e vários outros e que levará, em alguns anos, a ser a classe econômica predominante mundialmente, com todas as suas implicações de demanda, como já analisado em 2008 por Jim O’Neil, o mesmo inventor do termo Brics, no seu estudo Expanding the Middle,[4].

Todas essas tendências, é claro, impactam a indústria gráfica e conhecê-las, saber lidar com elas, fará toda a diferença no futuro da indústria, ou do seu negócio, se você for um impressor. O novo estilo de vida altera a forma com que as pessoas e as empresas se comunicam e isso altera todo o quadro envolvendo o futuro da gráfica.

Para começar é preciso dizer que já não há hoje qualquer produto gráfico, com poucas exceções como embalagens, que já não tenham um substituto eletrônico. Com maior ou menor aceitação do usuário. Pela decisão do usuário. E essa decisão se dá pela comodidade, custo e benefícios proporcionados por esse produto. Pela experiência positiva proporcionada., pela sua conveniência e pelo valor que o usuário nele enxerga. E aí reside toda a diferença entre morrer e sobreviver. No benefício proporcionado ao usuário. Novas tecnologias podem proporcionar esses benefícios melhor que o produto impresso? As que podem chamamos de diruptivas pois são as que tornam obsoletas as tecnologias que substituem como o CD fez com disco de vinil. Será que o ebook, por exemplo, fará o mesmo com o livro em papel?

As cadeias de valor e as tecnologias diruptivas

Costumo dividir o setor gráfico em cinco cadeias básicas de valor:

-       Produtiva

-       Marketing

-       Documentação

-       Conteúdos

-       Consumidor

Na cadeia produtiva estão inseridos todos os produtos e serviços gráficos relacionados diretamente com as linhas de produção ou produtos do cliente: são as embalagens de forma geral, rótulos, etiquetas, bulas, etc.

Na cadeia de marketing, toda uma infinidade de produtos relacionados a comunicação e expressão social dos clientes como folhetos, folders, propagandas impressas, mídias externas como outdoors e sinalizações, mídia internas de todos os tipos como cartazes, sinalizações, etc. Cartões sociais e de visita também se enquadram por aí.

Pelo lado da documentação entram todos os produtos e serviços relativos a documentos corporativos e sua gestão: formulários, notas fiscais, documentos transacionais como extratos, contas, boletos e carnês; impressos de segurança, cartões de crédito, etc. Os chamados tranpromos, mescla de documentos transacionais e de marketing podem estar em qualquer das duas categorias de comunicação.

Na cadeia de conteúdos estão os jornais, livros, revistas, guias e diretórios em geral. E na de consumidores estão os produtos de venda direta como cadernos, artigos escolares e de papelaria em geral.

Se olharmos para esse conjunto de produtos que são a base da indústria gráfica, não há dúvidas que muitos deles estão agora sob o fogo cruzado das novas tecnologias digitais. E serão substituídos toda vez que essas novas tecnologias proporcionarem uma melhor experiência e valor para seus usuários, da mesma forma com que o produto impresso foi uma tecnologia diruptiva há vários séculos e predominou como meio dominante por quase todo esse tempo.

Na cadeia de comunicação de marketing, por exemplo, a concorrência da mídia impressa aumentou consideravelmente. Hoje em dia as empresas precisam se comunicar de forma diferente em diferentes meios. Se até pouco tempo a comunicação era uma divisão entre material impresso e divulgação em rádio e televisão, hoje uma comunicação para ser mais efetiva usam-se diversos meios:  o email, o celular, as redes sociais, o youtube, e por aí vai. ( quadro 3) . De acordo com a mensagem, o público alvo, a quantidade, a verba e a mensuração da resposta, mais do que um desses meios será utilizado. Até mesmo a impressão, quando for conveniente. Eliminando desperdícios, imprimindo-se o volume mais próximo do consumo previsto ou o exato consumo. É o caso da impressão digital. Imprimi-se o que se vai usar. Reimprime na medida da necessidade. Minha amiga Barbra Pellow da InfoTrends comentou outro día em uma sua apresentação feita na GraphExpo dirigindo-se aos profissionais de marketing que não se deve mais pensar em campanhas, mas, sim, em conversação. Pois as pessoas e os consumidores estão agora o tempo todo conectadas em algum tipo de mídia. E se a mensagem for relevante e dirigida cria-se, efetivamente, um diálogo direto com seu público ou pessoa alvo. Muito certo.

Na produção de embalagens as pressões são outras. Elas passam a ter uma importância fundamental na decisão de compra dos consumidores, onde segundo Fábio Mestriner[5] , 70% da decisão de compra do consumidor final se dá na frente da gôndola que está cada dia com mais variedades de cada produto. O design, a funcionalidade, o impacto e a experiência positiva causada no consumidor cada vez mais informado, são fatores decisivos, o que implica na busca de novos materiais, envolvimento nos projetos e logísticas de produção por parte das gráficas que precisam estar preparadas não somente para volume, mas também para a diversidade e segmentação dos mercados.

Na produção de documentos, por outro lado, mais do que a reprodução de extratos ou boletos ou notas, a grande oportunidade e desafio está na análise dos processos dos clientes e aí entram soluções que vão da TI com novos softwares até a inteligência de marketing, data mining e data bases, gerando mais resultados, reduzindo custos e criando produtos como o transpromo.

Na reprodução de conteúdos o desafio está na oferta de gestão e nas diversas possibilidades de disponibilização de conteúdos para os clientes. A geração é deles, a viabilização e disponibilização é sua. Web sites, CDs e ebooks incluídos.

Na venda ao consumidor a internet e as aplicações web-to-print já são e serão cada vez mais relevantes. Especialmente para os que criarem boas experiências aos seus clientes permitindo que participem do processo de criação de novas peças, personalizando on-line. Entre no site da VistaPrint, a maior vendedora de produtos gráficos tradicionais do mundo e veja como se faz: www.vistaprint.com.br. Ou na M by Staples onde você pode personalizar e criar toda a sua papelaria: www.mbystaples.com

Portanto o futuro da gráfica está diretamente relacionada a resposta que ela pode dar aos seus usuários em termos de benéficos e experiências positivas. Onde ela for mais barata, acessível e eficiente ela será usada. Se não,  será descartada.

Isso vale para as grandes, medias e pequenas tiragens. Se antes imprimir 5.000 folhetinhos e distribuí-los nas redondezas anunciando uma nova pizzaria no bairro era uma maneira barata e eficiente de fazer uma propaganda, hoje pode não ser se a mesma pizzaria tiver uma relação de emails da região ou mesmo se tiver um blog chamativo ou mesmo um perfil atrativo no Orkut ou criar uma difusão boca a boca (ou celular a celular) no twitter.

Se antes imprimir 1 milhão de livros escolares e criar uma intensa rede de distribuição nas escolas era adequado, hoje disponibilizá-los e atualizá-los eletronicamente como já fazem a Califónia e a Flórida para determinados graus do ensino médio, pode ser mais eficiente. Pelo menos por lá.

Hoje um ebook pode ser mais conveniente e adequado para muitos do que livros em papel, seja pela rapidez de acesso, comodidade, falta de espaço ou qualquer outro requisito. Não é predominante ainda, mas pode ser diruptivo.

O desafio que o gráfico tem é o de procurar ampliar o seu entendimento daquilo que ele pode fornecer aos seus clientes e não restringir-se somente ao material impresso. Seu desafio é entender as necessidades do cliente em termos de comunicação ou documentação ou estoques ou logística e ajudá-lo nesse sentido.

Para isso ele tem que fazer a transição das novas mídias, entender seu funcionamento, adotá-las e ajustá-las, na medida do possível na sua própria oferta. Inocular-se com elas como uma vacina, segundo prega, sabiamente, o Dr. Joe Webb que cito abaixo.

O gráfico do futuro, dos próximos anos, terá de ser mais um gerenciador da logística de comunicação dos seus clientes do que impressor (quadro 4), na feliz observação do Dr. Joe Webb e Richard Romano em seu último livro[6] onde, na capa, clientes postados diante da prensa de Gutemberg, vendo um material sendo arduamente impresso, portam um novíssimo iPad da Apple.

A gráfica do futuro e do futuro imediato -  a nova gráfica – expressão que cunhamos  anos atrás terá de ser mais flexível, mais conectada aos seus clientes, sustentável  e mais digital. Ela se ajusta as novas demandas dos clientes entendendo suas necessidades de comunicação e de projetos através da ampliação da oferta de serviços tradicionalmente não gráficos, por isso mais flexível.  Seus processos se integram aos processos dos clientes com operações on-line que reduzem tempo  e custos, por isso mais conectada. Suas interfaces são eletrônicas e seus processos de produção são mistos, com variabilidade, por isso mais digitais. E sustentável, claro, se quiser sobreviver.

Se os mercados emergentes, como o brasileiro, ainda crescem em sua base pela incorporação de novos consumidores ávidos em usar cartões de crédito e de débito gerando extratos, se abastecem mais em supermercados usando seus tablóides de promoção, viajam mais tirando e imprimindo fotos, compram mais carros com manuais, expandem as cidades médias fazendo novos centros crescerem mais do que os centros desenvolvidos e com isso aumenta-se ano a ano o numero de gráficas existentes, ao mesmo tempo saltam etapas e se envolvem com rapidez no mundo digital.

A transição para um novo modelo

Essa expansão, especialmente no mercado brasileiro,  poderá dar ainda um tempo de adaptação – pouco tempo - de ajuste ao gráfico tradicional onde sua principal barreira não é a tecnologia, mas, sim, sua cabeça e sua visão. O principal fator de mudança para o futuro cada vez mais imediato é a mudança mental para enxergar seu negócio sob outra perspectiva. E isso, sabemos, não é fácil., mas passo algumas das etapas a serem cumpridas.

1-    Pensar nos não-clientes, os que não usam hoje intensamente produtos gráficos mas se utilizam de outros meios de comunicação

2-    Conhecer e usar na própria empresa os novos meios de comunicação. Habituar-se com eles e através deles .

3-    Pensar nas futuras aplicações e não planejar o passado. Em geral quando projetamos o futuro recriamos o passado. Nesse caso é mortal.

4-    Tirar o foco da impressão,  entender e desenvolver um fluxo de trabalho que o possa conectar aos clientes, aos processos dos clientes. Imprimir é só um dos serviços possíveis. Daqui a alguns anos pode não ser mais o principal. Já não o é para muitas empresas.

5-    Acompanhar os trabalhos de ponta a ponta e entender as dificuldades dos clientes. Em geral o gráfico se desconecta do trabalho depois de entregue. Saber seu uso e, em especial, seu desperdício.

6-    Medir resultados fora, e dentro. Quanto mais auxiliar seus clientes a medir a resposta do trabalho feito, maior a chance de continuar a fornecer. O mesmo vale para dentro de casa. A gráfica, em geral, tem muitas deficiências de controle.

7-    Trabalhar em rede : buscar parcerias complementares e suplementares. Buscar parceiros e gerar redes conjuntas de fornecimento. Ou pertencer a uma rede, a uma franquia. Aumenta a oferta e dilui custos. Essa pode ser a saída para muitas gráficas, especialmente de pequeno porte.

O meio impresso irá perdurar ainda por um bom tempo,. Não há dúvidas que ainda teremos materiais impressos daqui a mais de 20 anos. Porém sofrerá cada vez  mais concorrência de novas tecnologias como já vimos. O negócio gráfica, por outro lado, poderá perdurar ainda mais se souber incorporar essas tecnologias ao seu conjunto de ofertas e gerar os benefícios buscados pelos seus clientes. Quem o fizer, verá.



[1] Pira – ( WWW.pira-international.com) consultoria inglesa especializada nas cadeias de suprimento de papel, embalagem e indústria gráfica. O estudo aqui referido é o World Wide Market for Print, o maior estudo mundial vigente sobre a indústria gráfica. Esse estudo também é divulgado através da Primir – (WWW.primir.org ) - associação norte-americana de pesquisas no setor gráfico pertencente a NPES – (WWW.npes.org)associação norte-americana dos fabricantes de equipamentos e insumos para a indústria gráfica, editoração e conversão.

[2] Em seu livro Disrupting the Future – Dr. Joe Webb e Richard Romano definem que as tecnologias potencialmente diruptivas devem proporcionar uma experiência ao usuário melhor do que a tecnologia que pretendem substituir.

[3] Zukunfts Institut ( WWW.zukunftsinstitut.de )

[4] Estudo elaborado pela equipe econômica do banco Gorldman Sachs chefiada pelo economista Jim O’Neil, lançado em julho de 2008 com o titulo The Expanding Middle; The Exploding World Wide Middle Class and Falling Global Inequality. Segundo o estudo, cerca de 70 milhões de pessoas por ano, globalmente, estariam entrando nesse grupo de riqueza, definido por aqueles cuja renda familiar se situa entre US$6.000 e US$30.000 dólares por ano em termos de poder de compra paritária. Fenômeno que persistiria por pelo menos 20 anos sendo que a partir de 2030 seriam incorporados cerca de 90 milhões de pessoas anualmente.  Ainda que se observe esse fenômeno em vários países como Brasil, Índia e China, o estudo foi algo eclipsado pela crise mundial que eclodiu dois meses depois de sua publicação.

[5] Fábio Mestriner, premiado inovador na área de embalagens, ex-presidente da Abre – associação brasileira de embalagens e coordenador da pós-graduação de Embalagens da ESPM em São Paulo.

[6] Extraído do livro Disrupting the Future – the uncommon wisdon for navigating print’s challenge marketplace. – Rompendo o futuro – uma visão incomum para navegar no desafiador mercado da gráfica. Estamos traduzindo este livro para o português e deverá ser lançado no principio de 2011

nosso artigo na edição atual da revista Desktop:

Creio que todos já sabem do  que se trata quando falamos de cloud computing ou o computador nas nuvens, mas mesmo assim, só para não ter dúvidas, isso significa que há uma tendência inquestionável de que cada vez mais os programas que rodamos nos nossos computadores estarão instalados em grandes servidores e não no nosso disco rígido.  Com acesso via internet, que passa a ser a plataforma de operação,  podemos fazer as mesmas ou mais operações que fazemos hoje corriqueiramente. Acesso de qualquer lugar, por isso “nas nuvens”, como alias já são os programas office oferecidos pelo Google.

A utilização dessa nova plataforma não só vem crescendo como abre amplas e novas possibilidades de aplicações. Entre elas a impressão, não necessariamente numa gráfica, mas também nelas.

Agora em setembro, por exemplo, Vyomesh Joshi o vice-presidente executivo mundial da divisão de imagem e impressão (IPG) da HP em evento em Nova Iorque denominado encontro da inovação declarou que o computador nas nuvens “está tomando conta”, inclusive da impressão. O evento serviu para mostrar as novas aplicações da empresa para fazer o que ele chamou de “construir o espaço entre o digital e o físico” pois as pessoas querem poder imprimir de onde estejam, do aparelho que estejam usando: celular ou suas impressoras de mesa. Pouco falou sobre as linhas Índigo, mas o conceito foi reforçado: trabalhar na impressão sob demanda do que está digital e que se queira materializar, sejam fotos ou documentos em geral. No seu entusiasmo ele prevê que até 2012 pelo menos 12 bilhões de páginas serão impressas a partir de smartphones.

Sei que isso pode parecer longe da realidade da maioria dos impressores gráficos, mas é mais um exemplo da maneira como as coisas estão evoluindo no sentido da interatividade entre o digital e a impressão, ainda que não seja necessariamente pela forma hoje tradicional. Mas aí é que está o ponto. As forma das pessoas e empresas se comunicarem está se alterando e, com isso, a forma delas usarem os produtos gráficos.

Em recente palestra sobre o futuro da gráfica, com excelente participação da platéia no debate que é empolgante e necessário, voltei um pouco no tempo para recolocar alguns conceitos que trabalhamos há alguns anos quando buscávamos a promoção do setor. A indústria gráfica é uma indústria invisível pois os usuários finais de seus produtos o enxergam pela utilidade que eles tem: leitura, informação, conservação, documentação, etc e não pela sua reprodução em si. Essa parte enxergamos nós que trabalhamos com ela, não os usuários. Eles vêem livros, revistas, carteira de identidade u cartão de crédito. Eles – e nós mesmos em nosso cotidiano - portanto, vão sempre usar o que lhes é mais prático, mais conveniente, mais econômico. Por isso substituem o produto gráfico quando há algo melhor, mais usável. E nisso o gráfico tem que ficar atento, pois da utilidade virá a substituição do produto que fazem e a tendência que determinará o que se poderá fazer amanhã.

Interessante , portanto, essa história de buscar a impressão nas nuvens que os gigantes como a HP estão trazendo para a realidade. Sem explorar muito aqui o que o cloud computing pode alterar no próprio fluxo de trabalho e a interação com os clientes, na criação, desenvolvimento,  tipo e mix de mídia a ser usada e entrega dos seus materiais de comunicação e de documentação.

Pense você também em que essas coisas poderão te facilitar e em como isso pode alterar o seu negócio. Mude sua perspectiva e busque oportunidades nas nuvens, antes que vire uma tempestade.

 

nosso artigo mais recente na revista Publish:

A  feira gráfica GraphExpo  realizada em Chicago no começo de outubro trouxe uma gama de novos lançamentos e anúncios na área de impressão digital mostrando uma evolução interessante e complementando o que foi mostrado na Ipex na Inglaterra em maio e até mesmo na Expoprint aqui no Brasil

Alguns aspectos chamam a atenção: a gradual ampliação dos formatos de impressão e a ampliação da utilização dos cabeçotes de impressão ink-jet trazendo ainda mais versatilidade e novos usos para esses sistema combinados com a impressão tradicional de offsets a folhas ou rotativas. Os cabeçotes Prosper da Kodak com o sistema streamjet, por exemplo,  estão possibilitando a impressão de dados variáveis na velocidade das rotativas convencionais. Por enquanto com aplicações monocromáticas, mas em breve com aplicações a quatro cores o que ampliam enormemente a capacidade de desenvolvimento de novas aplicações e trabalhos. Nessa mesma linha a HP começa a ampliar a oferta de seus cabeçotes lançando o 4.0, os mesmo que abastecem as suas rotativas linha T.

No caso de formatos, a Xerox, por exemplo, anunciou a IGen 4 EXP com um formato de largura máximo de 660mm, um acréscimo considerável em relação aos 571mm das máquinas de hoje que poderão ter esse upgrade. Da mesma forma a Kodak anunciou que também ampliará o formato da NexPress. Puderam ainda ser vistos os modelos de folha do formato B2 (500x707mm) como a ink-jet da Fuji e a confirmação da Screem de uma máquina de mesmo formato.

Por sua vez a HP noticiou  o lançamento da rotativa T350, ou seja, com bobina de 35 polegadas ou 890mm de largura e quem se juntar a sua linha T300 e T200.

Este ano de 2010 foi também rico em termos de novos lançamentos de equipamentos coloridos em folha da Canon, HP Indigo, Konica Minolta, Ricoh, e Xerox. Incremento de velocidade de páginas minuto e mais acabamentos em linha.

Mais aprimoramentos nos workflows existentes permites que novas aplicações sejam desenvolvidas e tragam mais facilidade às empresas em suas utilizações.

Enfim, o que não faltou nesse ano foram novidades e aprimoramentos na área digital mostrando uma tendência irrefutável de que com o aumento da competição de mídias, o material impresso continua sendo uma parte ainda relevante.  Ao mesmo tempo que se adapta as novas necessidades dos usuários que requerem cada vez mais rapidez de resposta, flexibilidade e variação de tiragens que complementam suas comunicações.

Ainda que as offsets continuem a evoluir do ponto de vista de velocidades de acerto, automação e acabamentos em linha, o crescimento da tecnologia digital amplia significativamente a capacidade das empresas gráficas que possuem os dois processos a se ajustarem com eficácia as novas demandas dos clientes.

Como sempre reiteramos em nossas apresentações, artigos e consultoria direta às empresas, junto com esse desenvolvimento tecnológico também tem que vir o repensar na forma de atender aos clientes e de como gerar demanda a partir do entendimento de suas novas e reais necessidades.

Não basta ter a nova tecnologia. É preciso adquirir também uma nova mentalidade de negócio e de oferta de valor. Nesse aspecto não faltam oportunidades. Faltam, sim, mais iniciativas e conhecimentos alem da técnica. Não se falou em outra coisa nos seminários e apresentações ocorridos na feira de Chicago.

 

Do meio para o final da semana passada realizou-se o vigésimo segundo congresso gráfico da América Latina, desta vez em Cancún no México.

Apesar de relativamente pequeno, este ano contou com um conjunto interessante de apresentações. Pudemos falar sobre as gráficas que apresentam modelos inovadores e que se destacam na América Latina e participar dos debates sobre afinal para onde está indo esse setor.
Fica claro a partir da experiência norte-americana, de longe o maior mercado e também o que mais sofre os efeitos dos meios digitais sobre os meios impressos, que há uma lacuna que precisa ser urgentemente preenchida pelas gráficas (para ficar na denominação nais tradicional, pois muitas são bem mais do que isso) antes que esse processo de substituição se acelere ainda mais, além da crescente rejeição do uso de papel tomado como vilão da natureza por muitas correntes de ecologistas.
Essa lacuna corresponde a demonstração prática pelo ainda importante papel (sem trocadilho) do meio impresso na pizza de comunicação multicanal dos clientes, seja pelo incremento do ROI que proporciona quando adicionado aos meios eletrônicos, seja pela ainda maior confiabilidade da mensagem que o receptor tem ao recebê-la impressa. Corresponde também a demonstração que esse é um dos setores mais ecológicos e renovadores da indústria. Afinal, só na América do Norte são plantadas 1,7 milhões de árvores por dia nos reflorestamentos!
Ainda que boa parte da substituição possa ser considerada inexorável, nas campanhas mercadológicas onde a mensagem também é impressa e, se possivel, direcionada e pessoal, o ROI é mais relevante.
A lacuna que vem sendo preenchida ainda por poucas empresas gráficas (vale todo o parênteses anterior) tem mostrado resultados surpreendentes. Mas é pouco. A tendência e voz generalizada em muitas e muitas empresas é: substitua o papel porque é mais caro e polui.
Mesmo parecendo anacrônico para os mais incautos a pregação das vantagens de manter o papel como um dos meios a serem utilizados é válido e, como disse, rentável. Além de ecológico, creiam.
Essa lacuna, infelizmente, não é e não será aproveitada por muitos que não conseguem ver essa mudança ou entendem que isso não os afetará no curto prazo ou que entendem não ter a competência ou recursos necessários para fazê-lo. E, menos ainda, não sabem como precisam e precisarão pregar dentro dos clientes.
Para isso não é preciso ser grande ou tão forte. É preciso só ter mente aberta e pensamento grande. O que não é pouco em um setor que só consegue falar de mudanças tecnológias e formas de imprimir e não discute ou reavalia o próprio negócio.
Na realidade o momento é de discutir o negócio e entendê-lo como negócio e não como artesanato.
É hora, mais do que nunca, de empresariar. Assim entenderam os que lá estiveram.
Domingo, 04 Julho 2010 18:27

Falando em Transpromo

publicado no OutPutlinks do amigo Andy Plata e reproduzido pelo Steler no grupo Transpromo Brasil 
Jul 21, 2010

New Report Reveals B2B Transpromo Growth

A report by Pitney Bowes shows widespread use of transpromo amongst B2B companies

Harlow, UK, July 21st 2010 – A new report from Pitney Bowes reveals that the use of transpromo – the practice of adding marketing messages to bills and statements and other transactional documents – is being widely used as a marketing tool amongst B2B companies.

The survey was conducted amongst companies in the UK, France, Germany and the USA in March 2010. 1000 companies, all of which were B2B, were surveyed in each country.

An average of 34% of B2B companies in the UK, France and Germany indicated that they have put personalised messages on bills, statements and customer service communications. This trend is also reflected outside Europe, with the USA recording a similar figure of 31%.

Business executives are exposed to multiple advertising messages in the same way as consumers. Messages communicated via transactional mail, a medium trusted by recipients, are better equipped to catch the attention of the recipient. As the report shows, businesses are realising that adding marketing messages to transactional documents that are already being despatched has the potential to generate significant revenue. Alternatively, the transpromo technique can be used to simply inform the customer of new or complimentary products and services; policies or other useful information. At a time when every business is under pressure to generate revenue, transpromo gives companies the opportunity to increase their productivity through cross-selling.

The report reveals that the rise of transpromo is not confined to larger businesses - businesses of all sizes are reaping the benefits - though they might implement transpromo techniques differently. Transpromo has the flexibility to be used in a variety of ways - inserts can be included in the envelope or information can be embedded in the document itself, for example.

Transpromo is an evolving marketing tool and the survey results show that the B2B community is already excited about the possibilities provided by new transpromo technologies such as full colour envelope printers.

Hina Sharma, Head of Brand and Content Development, Pitney Bowes, comments "Whilst transpromo has been widely discussed in the media and in business circles, these findings show that it is now a reality. Previously, much of the focus has centred on transpromo being used to communicate with consumers. These findings clearly show that this view neglects the wider appeal of transpromo to target business decision makers – transpromo is being used by the B2B community, in the same way as by those targeting consumers."

The report 'Transpromo takes off for B2B Communications' is available free from pitneybowes.co.uk and is the first in a series of 6 reports focusing on the Business to Business arena in Europe and the US.

About Pitney Bowes

Celebrating its 90th year of innovation, Pitney Bowes provides software, hardware and services that integrate physical and digital communications channels. Long known for making its customers more productive, Pitney Bowes is increasingly helping other companies grow their business. Pitney Bowes is a $5.6 billion company and employs 33,000 worldwide. Pitney Bowes: Every connection is a new opportunity™. www.pb.com
nosso artigo na última revista Desktop'
Já faz algum tempo que cunhei, durante palestras e artigos, a expressão “a nova gráfica” para designar como empresas gráficas estavam inovando seu modelos de negócio, produtos e serviços para atender às novas necessidades de comunicação e redução de custos de processo dos seus clientes. O uso das aplicações em impressão digital sempre foi importante como indicação de caminhos e possibilidades e, em especial, nos projetos de inovação abertos pela tecnologia digital.
A Ipex 2010, realizada no final de maio, me fez lembrar essas colocações e mostrou de vez que o processo de mudança que vimos no setor gráfico nos últi- mos 10 anos caminha a passos largos para a consolidação dos processos automatizados, repetitivos e controlados por um lado e, de outro, mostra as amplas possibilidades de criação de comunicações interativas entre os meios físicos e digitais. Para muitos, a última Drupa foi um verdadeiro choque ao mostrar essas tendências. A Ipex somente demonstra que os protótipos da Drupa já estão na rua e irão gradualmente mudar a cara do setor, ainda que de forma um pouco mais lenta nos países emergentes, como o Brasil.
Vejamos: nesta Ipex, 70% do espaço ocupado estava relacionado ao digital, recorde em feiras desse porte. A demonstração das máquinas inkjet em folhas e rotativas mostra claramente os caminhos da velocidade e qualidade dos impressos. Até mesmo a Xerox que tem a maior linha de equipamentos, todos em base toner, anuncia sua primeira rotativa inkjet. Esses equipamentos são os que têm maior potencial para o crescimento da impressão digital em maiores volumes, sejam de livros, jornais, revistas, transpromos e materiais promocionais - reunindo ainda benefícios como ajuste imediato e baixa agressão ao meio ambiente, tendendo a dominar boa parte do mercado de offset. A melhora gradual e constante dos wokflows gráficos e dos softwares de gestão, com uma sincronização cada vez mais ampla através da Internet, aliado às diversas plataformas de web-to-print, é outro caminho sem volta que altera os fluxos e comandos de trabalhos da gráfica, definitivamente incorporando os clientes nos seus processos. A automação dos equipamentos offset, folhas ou rotativas, - e mesmo da flexografia - torna esses equipamentos cada vez mais rápidos em quesitos como acerto e integração com o acabamento - seja em linha ou não - completando o quadro que permite mostrar a “cara” da nova gráfica. É evidente que o setor gráfico é muito diversificado. Cada segmento, como a produção de embalagens, promocionais, rótulos, transacionais etc., tem suas características e soluções próprias.
Mesmo assim, diante da evolução tecnológica, reiteramos, o que defendíamos há algum tempo: a nova gráfica, diferente da tradicional, é cada vez mais flexível, mais conectada ao cliente e mais digital.
Ela se ajusta mais rapidamente às novas demandas e necessidades que representam valor para seus clientes, por isso, é mais flexível. Seus processos se integram aos processos dos clientes, reduzindo custos; por isso, é mais conectada. Suas interfaces são eletrônicas e acessíveis a partir de qualquer lugar, por isso, é mais digital.
Com isso, altera-se o modelo tradicional de cotação, ocupação de máquina e resultado. Ela passa a gerar valor junto com o cliente, aumentando gradualmente esse valor através do crescimento orgânico de ambos pela experiência positiva gerada no cliente final.
De forma resumida, essa é, enfim, a cara da nova gráfica. A Ipex só reforçou os traços.
Página 9 de 9