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Sábado, 15 Dezembro 2012 13:52

Rompendo o Futuro

nosso artgo na revista Abigraf sobre o livro Disrupting the Future cuja tradução lançaremos em janeiro/2013

Recentemente terminamos a tradução e prefaciamos um livro chamado “Disrupting the Future” cujos autores, Dr. Joe Webb e Richard Romano, em especial o Dr. Joe, são proeminentes gurus da indústria gráfica nos Estados Unidos. Com o nome de “Rompendo o Futuro” ele será lançado brevemente pela ANconsulting através da AGbooks da Alphagraphics que nos deu também suporte na tradução.

O livro, ainda que ancorado no mercado norte-americano, mostra de uma maneira instrutiva e reflexiva o processo de transformação do setor gráfico, em especial os segmentos promocionais e editoriais,  a partir do desenvolvimento das novas mídias digitais e seu poder disruptivo, ou seja, a de substituir tecnologias dominantes por novas tecnologias que prevalecem sobre as anteriores.

Com brilhantes tiradas e fortes constatações como a questão das publicações: “....uma publicação (uma revista, por exemplo) nunca foi material impresso embora pareça ser. ... Uma publicação anexa uma marca que que representa algo para um público em particular....  Uma publicação é uma distribuição de ideias; sua relação com a impressão é uma questão de circunstância e de falta de alternativas por séculos, sendo assim é mais fácil assumir que eles são uma coisa só.”  Ler isso quando vemos os anúncios do fim do Jornal da Tarde e do anúncio da revista Newsweek de que ela sairá só em formato digital nos faz, sem dúvida, refletir.

Ainda que varias informações contidas no livro sejam fortes do ponto de vista gráfico, elas tocam nas feridas abertas de um setor em transformação mas, antes de ser apocalíptico, o livro mostra as oportunidades embutidas nas novas formas de comunicação e traça um roteiro para que as gráficas possam se repensar e focar no seu negócio estratégico, mais do que focar somente em impressão, em especial na incorporação das novas mídias dentro do seu escopo de ofertas.

Prefaciamos o livro mostrando as diferenças entre o mercado norte-americano e brasileiro onde, por um lado, o processo de substituição de material impresso se dá em ritmo  distinto, em especial pelo porte que a mídia impressa tem naquele país e que, por via de consequência, um alvo mais visível, e, por outro, pelo crescimento da nossa massa de consumo que ainda impulsiona materiais gráficos tradicionais como tabloides, manuais de carros, extratos bancários, contas de telefone, cartões de crédito, etc. Bem entendido: ritmos diferentes, mas não necessariamente tendências diferentes.

Como dizia antes não é objeto do livro e muito menos o nosso sermos apologistas do fim, ao contrário. Alias, bem ao contrário dos muitos que hoje assim se manifestam sem considerar toda a extensão do setor gráfico e as inúmeras oportunidades nele embutidas e, mais que tudo, do poder de inovação que vemos em várias empresas do setor aqui mesmo no Brasil.

Dentro dessa linha são muito interessantes os caminhos apontados pelos autores para novos posicionamentos das empresas que se focam nas novas necessidades dos clientes e se renovam ao criar ofertas que tragam soluções que ultrapassam a simples reprodução de originais como, por exemplo, os que buscam oferecer o que os autores chamam de logística de comunicação do cliente através da criação,  implantação, gerenciamento, medição e coordenação de informações.

Saindo da esfera do livro e trazendo essas questões a nossa realidade, o que mais temos discutido com muitos empresários gráficos é o choque de conceitos enraizados na indústria e que são agora questionados pelo uso das novas tecnologias e pela diversidade de volumes e tiragens das demandas atuais dos clientes.

Uma dessas questões é a quebra da equação volume x preço. Toda nossa formação nos diz que para termos preços baixos é preciso ter volume. Aumente a quantidade que eu abaixo o preço, dizemos. Pois bem, como ficamos com os equipamentos digitais que não tem custo fixo de acerto e podem produzir a partir de uma unidade? Claro que fica mais caro se compararmos com o mesmo produto produzido em volume, mas, por outro lado, montamos uma outra equação. Vale a pena pagar esse preço se ele me reduzir custos de processo que se traduz em custos de estoques zero, rapidez de chegar ao mercado, não obsolescência de informações, etc.

Pois bem, isso faz parte de uma nova realidade industrial que vem se denominando como a terceira revolução industrial: a chamada digitalização da produção onde equipamentos de auto justam, se auto arrumam e até se auto reproduzem. Onde a participação de mão de obra é reduzida mas linhas, mas se qualificam nos comandos de fluxos de trabalho computadorizados. Linhas de produção flexíveis, como as novas plataformas que a Volkswagem está implantando em diferentes fábricas aptas a produzir qualquer dos veículos da marca, cada um diferente do outro, se necessário. Fábricas onde peças inteiras são feitas em impressoras 3D, máquinas cada vez mais colocadas no centro de produção para as mais diferentes aplicações. Custos fixos de acerto zero. Volume x preço? Indiferente.

Estou falando de gráfica? Não, estou falando das tendências mundiais das manufaturas, o que implica também um caminho natural para muitas gráficas em seus processos produtivos interligados digitalmente. A partir das vendas e sua interconexão com os clientes. Como assim? Pois saiba que hoje mais de 20% das vendas gráficas nos Estados Unidos são feitas por sistemas de web-to-print usados não somente para e-commerce, mas para conexão direta com os clientes preferenciais ganhando-se tempo, precisão e controle. Previsão para 2014 que esse volume ultrapasse os 30%. Incipiente ainda no Brasil, mas outra tendência irreversível.

Dizia eu de rever conceitos. Pois bem, romper o futuro é rever conceitos arraigados e repensar formas de atendimento e oferta de serviços. É inovação em todas as suas vertentes. Inovação incremental através da melhoria continua, o que significa ter produções e fluxos de trabalho eficientes com baixo desperdício, outra imensa e carente necessidade nas gráficas brasileiras. A maioria delas tem equipamentos sub utilizados em suas linhas e nem sequer se dão conta disso. Inovação por ruptura onde novas soluções redefinem a forma de prestar serviço e criam novos canais de comunicação aos clientes. O que fez, por exemplo, a AGdirect com a Mapfre seguros. Veja no site deles: www.agdirect.com.br. Para mim uma metáfora entre o velho e o novo conceito de produção gráfica. A troca de altos volumes de papel impresso com baixa margem por menos impressão de alto valor e um sistema de TI onde o cliente modifica toda a sua forma de se comunicar com seus clientes, em um sistema do fornecedor gráfico. Gráfico? Não, do seu fornecedor de soluções de marketing.

Romper o futuro é isso. Se Peter Drucker, por um lado, dizia que a melhor maneira de prever o futuro é cria-lo, por outro lado ele afirmava que a empresa existe para criar clientes e que para isso há duas funções essenciais: marketing e inovação.

Inovemos pois para “romper o futuro” criado por nós.

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