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nosso artigo na Revista Abigraf 291 - outubro/17

Entre setembro e outubro deste ano duas publicações chamaram minha atenção: o novo livro do Dr. Joe Webb e Richard Romano de nome The Third Wave ou Terceira Onda e a pesquisa liberada pelo Two Sides chamada Print and Paper in a Digital World ou Impressão e Papel em um Mundo Digital. Passo a comenta-las.

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Meu amigo e consultor norte-americano David Zwang publicou no site WhatTheyThink! nos meses que antecederam a drupa 2012, com muito sucesso, uma série de artigos esmiuçando e explicando as diferentes tecnologias, equipamentos e lançamentos que envolviam o processo inkjet de produção. Lembrando que a tecnologia inkjet foi a mais festejada nas duas última drupas e seguramente também o será na próxima. O Inkjet de produção se concentra nos equipamentos de produção de maior volume usando essa tecnologia.

Neste ano de drupa o David volta com uma nova série de artigos com o mesmo tema e que se estenderão daqui até a feira e depois. Desta vez, porém, por solicitação do próprio David e dentro da nossa parceria com o whattheythink.com, a AN Consulting estará traduzindo e publicando esses artigos concomitante com sua publicação nos Estados Unidos.

Começamos hoje. Aproveite e venha conhecer por dentro tudo o que se refere ao inkjet de produção, seu desenvolvimento, novos lançamentos e tendências. 

Gradualmente acrescentaremos também nossas análises e avaliações.

Venha junto, pergunte, participe.

Hamilton Costa

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Inkjet Drupa 2016

 

Neste artigo, David começa o processo de olhar para as mudanças no inkjet de produção desde a Drupa 2012, com um olho na educação do mercado sobre o que está na praça e o que podemos esperar para ver.

Por David Zwang

Publicado no WhatTheyThink.com em 15 de fevereiro de 2016

Em 2011, David Zwang escreveu uma série de artigos que mostravam a então oferta de produtos inkjet de cada fabricante e como estavam ou poderiam ser usados. Ele também examinou algumas das novas tecnologias inkjet que começavam a ser vistas em novos produtos e ofertas demonstradas durante a drupa 2012. Agora é tempo de atualizar tudo isso na reta final para a drupa 2016!

Estamos quase lá de novo. A drupa 2016 está a poucos meses à frente e as especulações sobre qual vai ser o o foco principal do evento deste ano já começaram e continuarão a serem construídas e evoluirão à medida que cheguemos mais perto do momento da verdade.

Podemos assumir que serão mostrados muitos desenvolvimentos novos e interessantes e, alguns deles, podem ser os que mudarão o jogo, embora eu acredite que, na verdade, serão evolucionários. De qualquer maneira haverá mudanças significativas na aplicação e adoção do inkjet de produção. Para aqueles de vocês que guardaram a série de artigos que comecei a publicar antes da drupa 2012 e continuando após o evento, terão agora a oportunidade de ver se o que foi prometido foi entregue e para onde se pode esperar que o inkjet de produção vá.

Se olharmos os direcionadores para a adoção do inkjet de produção, eles são igualmente impressivos. A promessa é ter a capacidade de entregar o impresso variável e sob demanda igual ao feito com a impressão eletrofotográfica combinando com o aumento de volume e velocidade que se espera da offset. E tudo isso com custos muito mais baixos do que os impressos feitos na impressão eletrofotográfica. Os fornecedores de serviços gráficos com aplicações como impressão transacional e de livros entenderam essas vantagens e pularam no trem do inkjet mais cedo. Entretanto, movimentos para serviços de qualidade mais alta como mala direta, material promocional e outras aplicações com altas demandas como embalagens se mantêm sentados na calçada esperando pelos próximos estágios de desenvolvimento. Os primeiros impedimentos para uma maior aceitação e adoção têm sido o de alcançar a qualidade da offset ou impressão eletrofotográfica e maior velocidade.

Nos meus artigos da série anterior, descrevi muitos dos fatores que contribuíram para a qualidade e velocidade do inkjet de produção e o que seria necessário acontecer para permitir sua evolução a um próximo nível. Nos últimos quatro anos, após a drupa 2012, temos visto muitas dessas mudanças evolucionárias chegarem ao mercado. Nessas se incluem as novas tecnologias de cabeças de impressão como a HDNA da HP – High Definition Nozzle Architecture. Ainda mais prevalecentes são as soluções que oferecem melhor controle ou implementação das tecnologias de cabeça de impressão existentes. A  Ricoh VC60000 é um excelente exemplo disso. Esperamos ver mais dessas melhorias nas cabeças de impressão e seu uso nas máquinas a serem lançadas na próxima drupa.

Também vimos um desenvolvimento significativo nas tintas usadas, em corantes, no carregamento de pigmentos através de pontos “nanos” e posterior refinamento dos veículos e aditivos que controlam como a tinta se deposita e seca na mídia. Essas mudanças ajudam a produzir um contraste muito mais alto da impressão ou uma visão de profundidade no produto final impresso. E enquanto tudo isso estava se passando nos laboratórios dos fabricantes de impressoras inkjet, os fabricantes de  papel estiveram bem ocupados refinando e expandindo sua produção de mídias compatíveis para inkjet. Esses fabricantes de mídia deixaram não somente suas marcas na inkjet de produção, mas também no explosivo uso das inkjets nos mercados de sinalização e displays. Essa sinergia ajudou a direcionar o desenvolvimento de muitas das necessidades mútuas desses mercados e ajudará a direcionar o uso da inkjet de produção em muitas outras aplicações de impressão comercial que estão avançando.

Um dos impedimentos para a adoção da inkjet de produção na impressão comercial também tem sido o fato de que as gráficas comerciais usarem muitos tipos diferentes de mídia no curso de um dia. Mesmo com algumas das novas tecnologias de manuseio, a gestão e manuseio de bobinas de papel é mais difícil do que o manuseio de folhas cortadas. Em resposta a essa necessidade, durante o período entre a drupe 2012 e a de 2016, vimos a introdução da impressora inkjet  Canon Océ i300 de produção de folhas assim como a Delphax elan está começando a vir para o mercado. Também vimos a introdução da Xerox Rialto 900 e da Pitney Bowes AcceleJet que produzem diretamente da bobina para folhas ocupando um espaço bem compacto. Ambas máquinas estão objetivando mercados que incluem a produção de material transacional e malas diretas em menor escala. (clique para ver nosso artigo a respeito dessas máquinas publicado na revista Abigraf)

Há outras impressoras inkjet que serão mostradas na drupa 2012, mas que estão apenas começando a ser instaladas em ambientes de produção. Em alguns casos ainda estão como instalações beta apenas começando a produzir. Nisso se incluem algumas tecnologias bem excitantes e implementações da Konica Minolta, Landa, KBA, etc. Esperamos ver muitas delas finalmente saindo pelo portão e indo para as mãos dos gráficos. 

Uma das novas e interessantes aplicações para a inkjet de produção são as embalagens. Enquanto vemos inkjets de produção sendo usadas na produção de rótulos por alguns poucos anos de empresas incluindo a EFI Jetrion, Super Web Digital e outras, agora vemos  outros segmentos de embalagens sendo objetivados. Nesses se incluem cartões semi rígidos como a Canon InfiniStream, que é tecnicamente de toner líquido e não inkjet, mas que realmente objetiva o mercado digital de embalagens. Também vimos recentes anúncios sobre a HP PageWide Web Press T1100S inkjet desenvolvida em conjunto com a KBA e a HP PageWide Web Press T400S para o mercado de corrugados. Esperamos ver um foco significativo na impressão digital e acabamento em embalagens na drupa 2016.

Conclusão

No decurso dos meses até a drupa 2016 e depois do evento, cobrirei em detalhes muitos dos novos desenvolvimentos no espaço da inkjet de produção. Sugiro que você faça uma revisão dos artigos sobre produção inkjet e workflows para refrescar a memoria. Eles cobrem não somente os fabricantes e as máquinas que chegaram ao mercado, mas também os direcionadores tecnológicos, requisitos e impedimentos.

 

Sobre o David: David Zwang é consultor trabalhando com otimização da produção, planejamento estratégico, análise de mercado e servicos relacionados. Seus clientes incluem gráicas, fabricantes, varejistas, editoras, premedia e agências do governo americano

 

 

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O maior evento do mundo para o setor gráfico demonstrou uma vez mais sua força ao reunir um conjunto invejável de expositores, novas tecnologias e avanços nos desenvolvimentos iniciados nos últimos anos, especialmente na área digital, mas para onde vamos?

O maior evento do mundo para o setor gráfico demonstrou uma vez mais sua força ao reunir um conjunto invejável de expositores, novas tecnologias e avanços nos desenvolvimentos iniciados nos últimos anos, especialmente na área digital. A despeito da preocupação dos organizadores sobre a frequência de público, já que nos primeiros 4 dias a feira teve 30% menos visitantes que a sua última edição, há que se esperar pelos números finais pois, nesta data, a feira ainda não terminou.

Todas as vezes que visito a Drupa tenho a preocupação de entender o grande painel que se forma com a junção de todas as opções tecnológicas a nossa frente, a disposição dos empresários nos seus investimentos e as reações dos fabricantes na sua necessidade de transformar tudo isso em resultados. Dessa observação tirar os possíveis caminhos do setor e as tendências predominantes. Minha matéria prima é informação e, portanto, o contato pessoal com outros analistas e com os dirigentes das empresas de tecnologia é fundamental. Além disso conversar com profissionais gráficos, donos de empresas, diretores e sentir sua compreensão do que estão vendo e buscando.

É sempre um pouco prematuro fazer extensas análises ainda no âmbito da feira, mesmo porque há muita informação chegando ao mesmo tempo, anúncios de tecnologias que ainda terão de se solidificar e outras já maduras que ainda demonstram alguma vitalidade. Portanto leva um tempo para uma análise mais profunda com a compreensão dos vários ângulos possíveis de se olhar.

Mesmo assim coloco aqui minhas primeiras observações que, sem dúvida, serão aprimoradas ao longo dos próximos meses, no confronto de opiniões com clientes, com outros analistas e profissionais do setor e nos diversos debates que participaremos sobre o tema.

A primeira impressão geral é a de que o setor que é visto como declinante do ponto de vista do público em geral, do senso comum, mostra ainda uma vibração e uma vitalidade interessantes. Não são pequenos os números dos investimentos realizados e por realizar por parte das diversas empresas de tecnologia. São muitos milhões de dólares, para não dizer bilhão, pois não tenho agora essa soma total. Mas não é pouco, incluindo empresas como HP cuja alma está em mercados ditos de ponta. Não haveria ainda tanto investimento se o setor estivesse em colapso.

O segundo aspecto que me chamou a atenção é a afetiva transição do analógico para o digital, mesmo para os mais tradicionais fabricantes de tecnologias de impressão. Essa transição segue um interessante caminho na ampliação dos formatos e no aumento da velocidade das impressoras digitais e nas amplas possibilidades da impressão híbrida entre offset e inkjet. Ainda que se perceba agora com mais claridade a limitação advinda do toner seco, as aplicações em toner líquido – talvez os maiores avanços mostrados na feira – o aprimoramento e as novas máquinas de folhas em inkjet – 16 ao todo – as potencialidades das novas tecnologias como a nanografia e sua proposição de altos voos em qualidade e tiragens compatíveis com as offsets mostram todo um caminho a seguir. Não há nenhum dos fabricantes de ponta de offset que não tenham anunciado ou mostrado seus modelos em digital ou em impressão híbrida. O que mostra que o desenvolvimento, nos próximos anos, será a captação de folhas do analógico para o digital resolvendo a segunda maior questão dessa tecnologia: produtividade. Ao se poder imprimir mais, com flexibilidade e variabilidade, o mercado de impressão digital que hoje predominantemente é um mercado de nichos, tenderá também a captar mais folhas em segmentos de volumes sendo a flexibilidade relacionada a ajustes rápidos, personalizações, versões e novas opções em termos de substrato e aplicações.

Por fim, nessa primeira e rápida análise, pude sentir, em muitos dos gráficos que visitaram a feira, um aumento de suas dúvidas sobre os caminhos a seguir. Para os que foram a Drupa objetivados sobre a troca ou novos equipamentos, tudo bem. Mas para muitos que foram na busca de respostas sobre o futuro imediato e de médio prazo, essa é uma Drupa confusa. Por que confusa? Porque a primeira constatação visual que se podia fazer sobre o fluxo das pessoas nos primeiros dias da feira mostrava como os estandes dos fabricantes de offset estavam lotados, mais do que a média dos estandes dos fabricantes de equipamentos de impressão digital. Digo como média, pois alguns desses estavam também bem tomados. Mas, do ponto de vista de quem ainda está fortemente lastreado em offset essa tecnologia ainda está viva e forte. Por outro lado não há como não reconhecer que as tecnologias digitais estão crescendo muito fortemente, começando pelas ofertas dos próprios fabricantes de offset, como falamos acima. Nesse ponto muitos empresários entendem que não há como fugir desse destino, vão então olhar mais de perto e entender essa tecnologia e, aí então, constatam que a diversidade de ofertas, a pluralidade de equipamentos e o diferentes fluxos de trabalho necessários – afinal o equipamento digital é só uma parte desse fluxo – os deixa ainda mais perdidos e confusos.

Mais do que nas feiras anteriores, esta Drupa ressaltou essa “confusão” no sentido de uma determinação estratégica de muitos gráficos. E agora? Muitos perguntavam. Por onde e para onde ir?

Uma resposta que muitas vezes não é simples, pois ela deveria vir dos seus clientes e do entendimento de suas necessidades imediatas e futuras. Uma resposta que exigirá de muitos uma revisão bem ampla de seus negócios no sentido de captar com mais nitidez essas efetivas necessidades que, em muitos casos, ultrapassa a simples compra de algo impresso, mas reside na compreensão de seus fornecedores parceiros dos desafios que seu negócio enfrenta e de que maneira eles podem ajudar nessa tarefa. Nem todos, talvez a minoria das empresas gráficas, na verdade, está preparada para esse entendimento. Mas é somente ele que irá dirigir os próximos investimentos e as definições tecnológicas que deverão ser tomadas daqui para adiante.

Nesse aspecto a Drupa aponta caminhos, mas não os define.

E você que esteve lá, como viu a feira e as tendencias mostradas?

Hamilton Costa – 14/05/12

 

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