A conscientização das mudanças setoriais

A conscientização das mudanças setoriais

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Nosso artigo na última revista Abigraf

No inicio de setembro realizou-se o congresso nacional da indústria de comunicação gráfica da Colombia, na cidade de Cali, onde participamos como palestrante e coordenador de um grande fórum de discussão sobre os rumos do setor gráfico e, em especial, dos segmentos de embalagem, promocional e editorial.

Com uma intensa participação e debates oportunos e produtivos, o encontro nos permitiu elaborar um ensaio sobre o tema. Reproduzo aqui um resumo dessas conclusões pois, parafraseando Toistói, o pensamento local reflete a situação geral da indústria na América Latina. Vamos a ele.

A indústria de comunicação gráfica engloba uma enorme quantidade de segmentos e especializações: da impressão de documentos à impressão de outdoors, dos cartões de visita a caixas e rótulos que embalam os produtos que consumimos, dos folhetos informativos a grandes campanhas de marketing multimídia, do cadernos escolar aos livros, jornais e revistas. E muito mais.

Todos os dias e praticamente em todos os lugares onde estamos nos encontramos com um produto gráfico. Eles são parte integrante de nossas vidas.

Ainda assim, com as grandes mudanças tecnológicas, demográficas, socioambientais e econômicas que vivenciamos nos últimos anos, muitos dos produtos gráficos enfrentam um processo de substituição por outras maneiras e formas de comunicação utilizadas pelas empresas e pelas pessoas.  Além disso, as preocupações da sociedade com os temas ambientais trouxeram importantes desafios na utilização do papel como se ele fosse o responsável pelo extermínio de um sem número de árvores, o que está muito longe da verdade: não somente porque o papel vem de florestas plantadas senão que essa mesma razão leva a que a indústria de papel seja uma das mais ecológicas do mundo. Isso sabemos nós que estamos conectados com essa indústria, porém não o sabe a sociedade que transforma essa percepção em realidade.

Além das consequências conjunturais determinadas pela crise econômico-financeira mundial dos últimos anos, apontamos os principais fatores fortemente impactantes ao nosso setor:

1) O crescimento dos novos meios digitais de comunicação que aumenta a competição com os meios impressos trazendo a diminuição de tiragens e a substituição de vários materiais impressos. 2) A utilização dos meios digitais e seu processo natural de reduzir custos de utilização e de desintermediação que pressionam acentuadamente os preços dos meios impressos. 3) O incremento da exigência de velocidade de execução dos trabalhos e nas quantidades do que se deve entregar justo a tempo. 4) A exigência crescente dos consumidores no consumo de produtos “verdes”, o que implica em uma produção “limpa” e no uso de materiais biodegradáveis em toda cadeia produtiva. 5) O gráfico, em essência, é um técnico envolvido nos aspectos produtivos e operacionais. Ele está acostumado às mudanças dos processos produtivos e tem a dinâmica da adaptação: desde a tipografia para o offset, o desktop publishing, o CTP, etc. O desafio das mudanças atuais do mercado o pressiona para outro tipo de mudança e o impacta fortemente: a tirar sua atenção dos aspectos essencialmente produtivos e dirigi-la para as mudanças do negócio dos seus clientes, o que implica em tecnologias e capacitações além das relacionadas com a impressão: softwares, bancos de dados, conhecimentos de marketing, criação e outras.

A partir dessas considerações e na busca e um roteiro que norteie as empresas para que se adaptem a esses novos requisitos, ressaltamos os pontos entendidos como os válidos para esse processo:

1- A urgente necessidade das gráficas na revisão de seu negócio a partir do entendimento das reais necessidades de seus clientes. O que pode implicar na busca de novos modelos de negócio com a incorporação de novas tecnologias nem todas relacionadas a impressão. Nesse sentido é imprescindível que os dirigentes das empresas possam capacitar-se para a definição, preparação e implementação de planos de negócio fundamentados na gestão da Inovação. Inovação e marketing são pontos essenciais para a formulação de um plano de capacitação empresarial.

2- É imprescindível que as empresas se capacitem para a gestão adequada de suas plantas, o que implica na melhoria de sua eficiência operacional, produtividade e eliminação de desperdícios. Em um mercado pressionado por custos é fundamental a revisão de processos, a automatização da produção e do fluxo de trabalhos desde os requisitos dos clientes até a entrega dos trabalhos, ou mesmo a gestão de estoques do cliente. 

3- É imperativo que as empresas façam esforços para a capacitação de seus colaboradores não somente nas tecnologias tradicionais mas nos novos fluxos digitais de produção. É importante estimular a atratividade de jovens que entram no mercado de trabalho para o setor lhes mostrando o potencial do negócio integrado aos processos digitais.

4- Conscientizar através de campanhas de toda a cadeia produtiva do setor para a sociedade sobre a realidade do papel como um meio importante, biodegradável e ecológico e não como um vilão da natureza. Como sugestão que se coloque nos e-mails das empresas uma mensagem igual ou semelhante a essa: Quando imprimir este email recicle-o, por favor. O Papel é renovável ou reciclável.

Enfim, além dessas conclusões, foram levantados alertas para politicas públicas no sentido de se buscar bancos de fomento para o financiamento de projetos de inovação e modernização, de incentivo a leitura e o combate a informalidade.

Creio que essa é uma discussão de real interesse de todas as empresas do setor que buscam se manter sadiamente no negócio de comunicação gráfica nos próximos anos.

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Hamilton T. Costa

Website.: www.anconsulting.com.br

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