A inovação através do modelo de negócios

A inovação através do modelo de negócios

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nosso artigo publicado na revista Publish de junho/11

No módulo de gestão estratégica que ministramos na Pós Graduação Gestão Inovadora da Empresa Gráfica da faculdade Senai Theobaldo De Nigris, apresentamos, neste ano, uma metodologia sobre desenvolvimento de modelos de negócios que vem sendo aplicada com muito sucesso a partir de um grupo de 470 colaboradores reunidos em conjunto com um consultor Holandês Alexander Osterwalder e que pode ser encontrada em seu livro Business Model Generation.

Por que coloco isso aqui? Porque cada vez mais a sobrevivência e o desenvolvimento de empresas gráficas e, em especial, aquelas que se aprofundam na tecnologia digital de impressão ou não, levarão forçosamente a rever seus modelos e desenvolver aqueles que lhes tragam as diferenciações necessárias para um crescimento mais lucrativo e mais conectadas com seus clientes. Para isso é preciso conhecer o que é e como podemos inovar nesses modelos. É comum ouvirmos ou lermos com frequência que é preciso rever o modelo de negócios ou que a empresa Y tem um modelo de negócios inovador, mas, por experiência própria, quando fazemos apresentações para diferentes plateias ou mesmo em clientes e perguntamos sobre modelo de negócios as respostas, em geral, são mais de dúvidas que certezas.

A metodologia desenvolvida por Ostewalder e seu grupo  é muito visual e permite uma ampla discussão entre os eventuais participantes de um planejamento estratégico de uma empresa que queira rever, aprimorar ou construir um modelo de negócios. Basicamente um modelo, ou a maneira com que a empresa constrói e entrega valor aos seus clientes, é composto de quatro partes básicas: Proposição de valor ou oferta, ou aquilo que oferecemos de benefícios aos nossos clientes através de nossos produtos ou serviços; os segmentos de clientes que queremos atingir, que tipo de relacionamento e que canais usamos; a infraestrutura necessária para produzirmos esses produtos e serviços, as parcerias que complementam nossa oferta e os custos envolvidos e, por fim, como fazemos dinheiro com isso, ou seja, as linhas de faturamento que temos.

Quando digo que a metodologia é visual é porque se coloca em uma grande tela esses elementos: proposição de valor no centro, infraestrutura dividida em tres blocos: recursos essenciais, atividades chave e parcerias, embasadas na estrutura se custos – no lado esquerdo da tela; clientes, canais de venda e forma de relacionamento, embasados pelas linhas de faturamento – no lado direito da tela (figura 1).  A dinâmica se dá quando entendemos a relação entre as várias áreas, os modelos então existente e onde poderemos ou deveremos trabalhar para buscar diferenciações ou mesmo novos mercados. Numa discussão de grupo podem ser usados postits com as diversas idéias e possibilidades e as consequências das alterações e novidades.

Em um workshop específico trabalhamos com as empresas para esse redesenho. Independente disso o entendimento do que é um modelo de negócios e sua dinâmica pode e deve levar a organização a decisões sobre os passos a tomar e a melhor maneira de se adequar a novas proposições de mercado. Definir, por exemplo, em se criar uma nova oferta de serviços através da impressão digital e definir quais aplicações, para quais clientes, com qual infraestrutura e parcerias, que implicações de custo tem e que linhas de faturamento permitem.

Sei também que para muitos essa simples leitura já pode gerar reações como bobagem, perda de tempo. No entanto o que vemos na prática no setor gráfico é muita falta de planejamento, decisões de impulso baseadas na cópia do que fez o concorrente e muitas lamentações por não se ter pensado com mais propriedade sobre os retorno de investimentos. Conhecer, redefinir e projetar um novo modelo de negócios pode fazer toda a diferença entre sucesso e “azar”.

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Hamilton T. Costa

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